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domingo, 15 de junho de 2014

A Escola Inclusiva



Hoje vamos falar sobre a Escola Inclusiva.
No primeiro momento pensamos que a Escola Regular e a Escola Inclusiva são a mesma coisa. Quando começamos a conhecer a escola Inclusiva, verificamos que existem  diferenças.

Em Curitiba, pelo que eu saiba existem poucas escola Inclusivas , conhecemos uma delas na palestra sobre a Síndrome de Down organizada pela REVIVER DOWN. 

Colégio Integral, na época fiquei encantada com o projeto, mas como morávamos do outro lado da Cidade, decidimos esperar.

Na metade do ano passado ( 2013 ), nossa casa ficou pronta, nosso novo bairro fica próximo, fomos até o Colégio Integral fazer uma entrevista com a Amanda, conversamos com a Coordenadora e decidimos matricular a Amanda no Jardim II em 2014.

Conversando com a Coordenadora, percebi que precisava preparar a Amanda, conversei com a Águida, para que a Amanda tivesse dois atendimentos na semana, ela tinha que estar começando a falar. 
Tiramos a chupeta, passou a dormir na mini cama , começamos a deixar ela almoçar sozinha, ela teria que estar preparada para lanchar " quase " sozinha.

Após a conversa a Amanda foi ao parque com o Grupo do Jardim II, o escorregador era alto e ela se virou numa boa ( Graças a Deus o Lúcio sempre deixa ela se virar sozinha , principalmente no parquinho. Eu como sempre medrosa, fico próxima quando ela sobe no escorregador quero dar a mão na descida!!! )
A escola é bem grande tem turma até o terceiro ano do segundo grau, várias crianças da REVIVER DOWN estudam e estudarão lá, inclusive um deles passou no vestibular de Educação Física.

Construir uma escola inclusiva, não é fácil precisa de vontade de que as coisas realmente aconteçam, perseverança, fé, entusiasmo, superação, não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito, é querer, é acreditar que pode dar certo e o mais importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais ainda é pouco, existe grande distância entre o real e o ideal, é perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar, mas é ter coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. 

Segundo Mantoan apud Gil, 1997:
“A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”.

A luta em se ter uma escola inclusiva de verdade é grande, de nada adianta colocar a criança especial dentro de uma classe comum, se a deixarem segregada, exclusa. A criança tem que sentir-se valorizada, importante, inteligente, capaz igual aos demais estudantes. Cada um possui limites, o que o professor não pode é enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são capazes de evoluir sempre, que cada conquista não é o ponto final, é apenas o estímulo para buscar cada vez mais.

A vontade de vencer deve ser maior que o medo de fracassar. Ninguém vence sozinho. Ninguém nasce sabendo as coisas, tudo se aprende e não se deve nunca perder a esperança, confiança e tranqüilidade.

Segundo Aranha, 2004:
“Escola inclusiva é, aquela que garante a qualidade de ensino educacional a cada um de seus alunos, reconhecendo e respeitando a diversidade e respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e necessidades”

Na verdade, a escola que inclui é aquela que além de oferecer o acesso das crianças portadoras de necessidades especiais e de outras pessoas que de alguma forma sofrem algum preconceito (índio, negro, o estrangeiro, etc.), é aquela que garante a permanência e o sucesso dos alunos. Isso é um desafio constante a todos.

O sucesso de toda escola só acontece quando há a participação e a integração de todos os envolvidos no processo educacional: docentes, direção, orientação, pais, alunos, políticos empenhados, e toda a comunidade em geral. Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem claros, políticas públicas definidas e acessíveis, projeto político pedagógico que condiz com a realidade, fundamentação teórica relacionada com a prática.

O processo de avaliação deverá ser todo reformulado também, ao se lidar com crianças com deficiências, não se pode julgar todos iguais, cada qual tem seus talentos, suas habilidades e capacidades próprias; e trabalhá-las, desenvolvê-las é o mais importante.

A proposta pedagógica deve ser estudada, reinventada, deve haver flexões curriculares para atender todo o público escolar.

Faz anos que o Colégio Integral realiza este trabalho, e vejo todos os dias várias crianças Down em vários níveis, inclusive no segundo grau, por enquanto a Amanda não tem Tutora, a Coordenadora ainda não vê a necessidade.

 Aranha (2004) :
“A escola que pretende ser inclusiva deve se planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias, para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais especiais à aprendizagem e ao conhecimento."

“A pedagogia adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança como um todo. “A escola deve buscar refletir sobre sua prática, questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está voltado para diversidade”

 Gil (1997) :
“É importante que o professor e toda a comunidade escolar (diretor, funcionários, alunos) se lembrem de que todo aluno pode, a seu modo e respeitando seu tempo, beneficiar-se de programas educacionais, desde que tenha oportunidades adequadas para desenvolver sua potencialidade”.


Na primeira semana de aula senti que a Amanda estava voltando sempre nervosa, quando estava chegando no final da semana a Professora me explicou que a sala inteira era nova , e estava em adaptação,  a Amanda não gosta de choro e nem de gritos, ela estava nervosa porque algumas crianças estavam chorando na adaptação.

Passada a primeira semana, tudo se resolveu ! Escola nova, sem chupeta, dormindo na mini cama . Queria tirar a fralda também, mas a professora me pediu para aguardar até setembro, era muito mudança para a Amanda.

Na hora do lanche ela tem que se virar, pega a lancheira abre arruma na mesa a professora ajuda a abrir e ela lancha sozinha !!!     

Estamos gostando muito da Escola temos reuniões a cada dois meses, a Águida  realiza um trabalho junto com a escola, trocam figurinhas, para que o trabalho com a Amanda seja integrado. 

A Amanda está adorando a escola, os amigos são muito carinhos e a ajudam quando ela precisa. Todos da Escola já a conhecem, e ela adora os maiores. A Professora Claudinha já foi Tutora e hoje é a Regente da Turma da Amanda.

Estamos muito satisfeitos com o Colégio Integral e esperamos que tudo de certo!!!

Obrigada   !!!               Beijos  Simone Santiago Marques 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Procura da nova Escola Regular



Quando nossas crianças atingem a idade escolar é que começamos a perceber o quanto o mundo pode ser cruel com o que é diferente dos padrões estabelecidos. Ao procurar uma escola para nossos filhos buscamos o que há de melhor e várias escolas que possuem um discurso de inclusão, de que ser diferente é ser normal porém a realidade é mais difícil pois para eles o aceitar uma criança down significa colocar em uma sala, ou unidade com outras crianças "fora do padrão" e apresentar um discurso de que fazemos inclusão. 

A Luciane Santos Ribeiro postou a seguinte mensagem "Se escolher a escola regular tem que ficar em cima e prestar atenção se realmente a criança está sendo respeitada, porque se for só para ter o nome na escola regular, com uma carteira e cadeira pra sentar ninguém merece".

A Amanda ficou dois anos na Escola Meu Futuro, apesar de não terem experiência na alfabetização de crianças com Down, a boa vontade prevaleceu neste caso, tentavam superar as dificuldades.

Nossa casa ficou pronta, o novo bairro ficava exatamente do outro lado da Cidade, achei que não seria necessário mudar de escola. Mas o trânsito nos venceu!! Isso aconteceu em Maio de 2013.

Agora precisava urgente de uma nova escola. Em uma palestra da REVIVER DOWN, o Colégio Integral estava presente e na época fiquei bem interessada na proposta deles. 

O Colégio Integral fica bem próximo a minha casa, liguei e perguntei se tinham vaga para o Jardim II, não tinham. Mas me convidaram para realizar uma entrevista e me pediram para levar a Amanda também.

Comecei então a ligar para as Escolas próximas a minha Casa, as que tinham vaga, não tinham experiência e nem vontade de receber a Amanda!  A transferência de unidade para a Camila  foi imediata, iria iniciar na segunda semana de Maio, eu tinha então uma semana!! Que desespero!! Já havia ligado para pelos menos sete escolas e não senti reciprocidade em nenhuma delas.

Aprendi, em todas as escolas que liguei, primeiro informava que minha filha era Down, e depois perguntava se a escola estava preparada para recebê-la. Achava melhor fazer assim, do que ficar chateada depois!!!   Não tem nada mais desagradável do que sentir que tudo muda quanto a real situação é exposta!

Ao passar ao lado da Escola Momentos Mágicos decidi ligar com outra abordagem . 

  1. Tem vaga, resposta positiva.
  2. Pedi para falar com a Coordenadora, me atendeu prontamente. 
  3. Experiência com crianças Down, resposta negativa.
  4. Poderia levar a Amanda para fazer um teste, sem compromisso, já que tinham vaga, resposta positiva.
Lá fomos nós, deixei bem claro que a Amanda ficaria somente até Dezembro, pois a partir de 2014 ela iria estudar no Colégio Integral, o combinado era se a professora aceitasse o desafio, a matricula poderia ser feita.

Ao chegar na escola as crianças do jardim II estavam no parque, ao ver a Professora a Amanda se apaixonou e a recíproca foi verdadeira !!!  O combinado então prevaleceu, a  Professora Fernanda aceitou o desafio e se superou , o carinho e atenção que a Amanda recebeu na Momentos Mágicos foi especial, Fernanda Galves Milani era a Professora regente e a Bruna Kott a Professora assistente. No final do Post vou postar o vídeo da Amanda dançando na festa de final de ano. Incansáveis e atenciosas !!

A Amanda tem uma carisma que encanta a todos é carinhosa e está sempre feliz !! 

A Amanda é uma excelente professora, com ela aprendi que devemos escolher nossas brigas. Não adianta brigarmos em escolas que dizem fazer a inclusão e indicam uma unidade isolada.  

Outra coisa que aprendi é que a dificuldade em aceitar alguém diferente é sempre dos adultos, seja consciente ou inconsciente. Em todas as escolas as crianças com seu coração puro e a visão sem preconceito faz com que a Amanda sempre seja aceita e muito bem cuidada por todos os amiguinhos da escola. Quando vamos buscá-la sentimos o carinho que todas as crianças tem para com ela. Um dos objetivos que temos e optamos por colocar em uma escola regular é que todos aprendam a conviver com as diferenças e então teremos uma geração que aceita as diferenças e assim espero que tenhamos um mundo melhor.

Para assistir o vídeo da Artista Amanda, acesse aqui 


Bom final de semana !    Beijos  Simone Santiago Marques