quarta-feira, 26 de julho de 2017

Síndrome de Down e dificuldades com o sono


Dormir uma boa quantidade de horas todo dia é fundamental para a saúde. Entretanto, problemas como a apneia do sono, o bruxismo e o sonambulismo podem prejudicar a qualidade do descanso ou mesmo impedir um sono tranquilo. Pesquisas e estudos de caso apontam que pessoas com síndrome de Down podem apresentar dificuldades para dormir desde a infância.
A criança ou o adulto que não dorme satisfatoriamente muitas vezes apresenta sonolência e falta de atenção durante o dia, o que pode ocasionar problemas de aprendizagem. O sono de baixa qualidade também afeta o humor, gerando irritabilidade.
Por isso, é importante procurar um profissional de saúde o quanto antes e buscar um tratamento para a origem do problema. “Há cerca de seis meses, percebi uma dificuldade do meu filho durante o sono, parece que tem algo obstruindo a respiração. Cheguei a pensar que ele tivesse colocado um corpo estranho no nariz, mas não havia nada. Quando ele não dorme bem, fica agitado e nervoso, mal-humorado”, conta a gerente Rosangela Luz, mãe de Heitor Nathan, que tem quatro anos e nasceu com síndrome de Down.
Apneia do sono é o problema mais comum
De acordo com um artigo publicado por especialistas do Cincinnati Children’s Hospital Medical Center da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, crianças com síndrome de Down possuem uma predisposição para o desenvolvimento da síndrome da apneia do sono obstrutiva – o problema pode afetar 45% dessas pessoas.
A apneia obstrutiva do sono ocorre quando as vias respiratórias estão tão bloqueadas que a criança não consegue consumir oxigênio suficiente durante o sono. Quando a pessoa tem apneia, essa ausência de fluxo de ar pelo nariz e pela boca dura pelo menos dez segundos. Isso causa problemas de sono e irritabilidade na manhã.
Se a apneia obstrutiva resultar em uma redução crônica da oxigenação do sangue durante o sono, pode aumentar a pressão sanguínea nos pulmões, o que é chamado de hipertensão pulmonar. Essa hipertensão faz mal para o coração e pode causar danos crônicos.
Características físicas associadas à síndrome de Down como pescoço curto, hipertrofia das amígdalas e adenoides, queixo pequeno,  diminuição do tônus muscular e tendência à obesidade favorecem o aparecimento de apneias durante o sono.
A síndrome da apneia do sono obstrutiva pode ser causada por problemas de saúde como a obstrução completa ou parcial das vias respiratórias, hipoventilação obstrutiva crônica (ventilação inadequada com a chegada de ar insuficiente aos pulmões) com hipercarbia (excesso de dióxido de carbono no sangue) e hipoxemia (quantidade menor que o normal do oxigênio no sangue).
A síndrome da apneia obstrutiva do sono pode ser identificada após o surgimento de manifestações clínicas como o ronco intenso (embora nem toda pessoa que ronque tenha apneia) e pausas na respiração durante o sono. Também podem ser observados movimentos anormais e específicos, além de posturas pouco habituais, como sentar-se na cama ou inclinar-se para cima e respirar com a boca aberta.
Tratamento pode incluir intervenções cirúrgicas e uso de medicações
Outro problema que pode aparecer com maior frequência em pessoas com síndrome de Down e que atrapalha o sono é o bruxismo, uma disfunção causada pelo ato de apertar ou atritar os dentes.
O hábito, que pode ser diurno e noturno, sobrecarrega a arcada dentária e os tecidos que dão suporte a região, podendo causar enxaquecas regularmente. Além disso, é importante ter atenção a problemas que são relativamente comuns para todas as pessoas, sobretudo durante a infância, como sonambulismo, insônia e terrores noturnos.
Os tratamentos para problemas que atrapalham o sono variam de acordo com cada caso e podem incluir terapias de educação postural, intervenções cirúrgicas para remover obstáculos à respiração (como amígdalas e adenoides), uso de medicações e psicoterapia.
Independentemente do problema, é fundamental que haja um aconselhamento profissional – de preferência com um profissional que conheça as especificidades relativas à síndrome de Down – para evitar que o quadro se agrave e que o desenvolvimento físico e intelectual da pessoa seja prejudicado. fonte
Beijos  Simone Santiago Marques

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Garoto com Down vira herói na Itália após salvar criança de afogamento


Com apenas 17 anos, Valerio Catoia, atleta paralímpico com Síndrome de Down, virou herói nacional em seu país, a Itália, após salvar uma garota de 10 anos que se afogava em uma praia próxima à capital Roma.
As informações foram publicadas pelo jornal "Corriere della Sera" na última sexta-feira, 14.
De acordo com o periódico, o rapaz tomava banho de mar, acompanhado da irmã e do pai, quando começou a escutar os pedidos de socorro.
No início, todos acharam que era uma brincadeira, mas logo perceberam que se tratava de um afogamento real, levou alguns segundos para percebermos que eram duas meninas que estavam se afogando", disse o pai.
"Chegamos perto delas. Valerio pegou uma delas, colocou no ombro virada para cima e foi em direção à praia"
Quem viu a cena destaca que Valerio fez tudo sozinho, cansado e enfrentando ondas cada vez mais altas até a chegada dos salva-vidas. "Ele manteve a cabeça acima da água, como aprendeu uma vez em cursos", diz o pai
 Valerio pratica natação pelo menos quatro vezes por semana. E também faz atletismo. Ele, que até já participou de competições locais, havia feito, em 2016, um curso de salvamento.
Esporte é uma verdadeira paixão do jovem herói, contou ao jornal Roberto Cavana, seu treinador há cerca de dez anos.
A disciplina foi recompensada com resultados, com destaque para a medalha de prata nos 50 m livre e o quinto lugar nos 50 m costas no Campeonato Nacional de Natação da Fisdir (federação italiana de esportes para pessoas com deficiência intelectual )
Cavana ainda ressaltou a importância de um trabalho pioneiro feito na região, o qual ofereceu curso de salvamento para jovens com deficiência como Valerio
Durante a primeira edição dos Trisome Games, uma Olimpíada para atletas com Síndrome de Down realizada em Florença em 2016, Valerio deu inclusive uma demonstração prática do que aprendeu para juízes internacionais
 Roberto Cavana destacou a iniciativa e o ato heróico de Catoia. "Uma coisa é salvar um boneco na piscina, outra é uma criança de carne e osso, com ondas altas e o sol em seu rosto."  fonte
Beijos  Simone Santiago Marques

domingo, 16 de julho de 2017

Pequenas conquistas uma grande vitória - desfralde número 2


Estamos muito felizes com nossa princesa Amanda, para nós cada pequena conquista é uma grande celebração.
Desfralde do número 2, está sendo mais fácil do que o desfralde do xixi, ela faz cocô um dia sim , um dia não, na maioria das vezes quase no mesmo horário, isso facilita muitooo.
Para a criança, o desfralde é uma tarefa nova que implica em adaptações e, também, em aprender a abrir mão do que se está fazendo para ir ao banheiro o que, em seu universo, pode ser uma grande renúncia.
Esse é, sem dúvida, um dos grandes marcos do desenvolvimento infantil e também um desafio para pais e crianças. Além disso, é um dos primeiros passos rumo à autonomia .
No momento do desfralde, a criança descobre algo que depende exclusivamente dela, da vontade dela.
É importante ressaltar que cada criança tem um ritmo diferente e é fundamental respeitar os seus limites, cada processo será único e não depende apenas do nosso desejo.
Quando a Amanda consegue fazer o número 2 na patente, transformamos em um acontecimento!!!  Afinal, para a criança, é um acontecimento, ela está vencendo mais uma etapa de seu desenvolvimento.
Para ajudar nessa hora optamos por comprar um assento redutor com  escadas (apoio para os pés). Isto facilita muito a tarefa por duas razões: a primeira, ela se sente segura tendo um chão a seus pés (é comum a criança ficar insegura no vaso, pois ele é alto, tem um buraco e o que cai ali, desaparece!); e a segunda razão é fisiológica, o apoio plantar facilita para fazer força, o que é necessário para expelir o cocô.
Amanda têm feito cocô vários dias na patente, as vezes escapa, quando exagera na alimentação, o cocô acaba vindo em horário diferente, mas cada dia os escapes diminuem.
Nossa maior felicidade foi quando a Amanda ( a dois dias atrás) me chamou e pediu ir ao banheiro, sentou e fez o número 2  !!! Nossa que orgulho da nossa pequena. comemoramos muito!!!
Acho que as palavras mais importantes nessa fase do desfralde são paciência, amor e dedicação. Como é maravilhoso ver a recompensa de todas essas virtudes no sorriso de felicidade dos nossos filhos quando elogiados pelas suas conquistas.
Nosso mantra - " É preciso viver cada dia de uma vez".
 Beijos  Simone Santiago Marques

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Homem pede namorada e irmã dela, com síndrome de Down, em 'casamento'


Um pedido de casamento é sempre especial, mas o americano Will Eaton conseguiu tornar o pedido mais especial ainda. Antes de pedir para se casar com sua namorada, Ashley Schaus, ele se ajoelhou e fez um pedido para a irmã dela, Hannah, para que ela fosse "sua melhor amiga para sempre".
Ashley contou ao site How He Asked que ela e Will se conheceram em outubro de 2010. "Ele tinha um Chevrolet Camaro e eu tirei uma foto do carro, postei na internet e disse que amaria dar uma volta nele! Bem, um amigo em comum nos apresentou, e depois ele foi me buscar em casa para nosso primeiro encontro", contou.
Porém, para Ashley, a parte mais importante da história dos dois é quando ele conheceu sua irmã, Hannah. "Ela tem síndrome de Down e diabete, e eu sou muito protetora com ela. Não somos apenas irmãs, somos melhores amigas. Nós fazemos tudo juntas. Eu disse para Will que Hannah e eu éramos um 'pacote fechado'. Ele tinha que aceitá-la, amá-la e incluí-la em tudo porque ela e eu somos grudadas para sempre", disse.
Felizmente, Will aceitou muito bem e Hannah passou a ser parte presente na vida do casal. "Nós fomos assistir a todos os filmes dos Minions, parques temáticos, e somos melhores amigos há sete anos. Ele é a melhor coisa que já aconteceu para nós duas, e eu estou tão feliz de poder chamá-lo de marido em breve!", comentou Ashley.
Então chegou o dia do pedido. Todos os anos, Ashley, Hannah e Will costumam ir a um bosque para tirar fotos. No ensaio deste ano, em determinado momento, Ashley pediu para que Will tirasse algumas fotos só com Hannah. Ele ficou feliz com a proposta, porque tinha uma surpresa para ela.
"Ele se ajoelhou, usando o anel da minha avó, e perguntou para Hannah se ela seria sua melhor amiga para sempre. Eu nem pensei em mim, eu apenas fiquei tão feliz de vê-la experimentando um momento tão lindo", relembra Ashley. Hannah disse sim, e então Will foi até Ashley. "Ele se virou para mim, se ajoelhou, e me pediu para casar com ele. Eu chorei. Hannah chorou. Todos nós choramos. E, claro, nós duas dissemos sim. Foi o momento mais incrível da minha vida", disse Ashley. Fonte
Que lindo!!!  Beijos  Simone Santiago Marques

domingo, 9 de julho de 2017

8 sinais de intolerância ao glúten


Sensibilidade ao glúten ou intolerância é uma condição que leva uma pessoa ter uma reação após a ingestão de glúten, uma proteína encontrada no trigo, cevada e centeio. Os sintomas variam muito e podem incluir problemas gastrointestinais, dor nas articulações, fadiga e depressão.
É bastante comum que as pessoas tenham problemas digestivos e de saúde após comerem trigo ou glúten. Encontrado principalmente no trigo, cevada e centeio, a intolerância ao glúten pode resultar num número de sintomas diferentes.
O trigo é um tipo de grão que é comumente encontrado em pães, cereais e massas. Fontes menos comuns incluem condimentos, como molhos para saladas e sopas. A cevada é outra abundante variedade de grão, que é frequentemente utilizada para fabricação de cerveja e produtos para alimentar animais de pecuária. O centeio é o último tipo de grão que utiliza glúten como um ingrediente. É mais frequentemente encontrado em cereais, cerveja e pães. Consumir esses tipos de alimentos e bebidas é muitas vezes como se descobre a sua intolerância ao glúten.
A doença celíaca é um tipo grave de intolerância ao glúten. Classificada como uma desordem auto-imune, a doença celíaca provoca danos no intestino delgado. Quando aqueles com a doença consomem glúten, inicia-se uma resposta imune anormal que ataca diretamente os intestinos. Eventualmente, os danos causados aos intestinos diminui significativamente a capacidade do organismo de absorver adequadamente os nutrientes. Se não tratada adequadamente, a doença celíaca pode resultar em complicações de saúde a longo prazo. Estima-se que 1 em 100 pessoas sofrem da doença.
Os indivíduos que são sensíveis ao glúten descobrem muitas vezes que os seus sintomas somem depois que o produto é eliminado da sua dieta. Com isso dito, existem alguns sintomas que podem apontar que o indivíduo tem uma intolerância ao glúten.
Aqui estão 8 sinais de intolerância ao glúten:
1- Confusão mental
Um dos sintomas mais surpreendentes de intolerância ao glúten, a confusão mental (brain fog), também pode ser sutil em sua natureza. Esta confusão está mais relacionada à uma falta de clareza mental, e pode ser um dos sintomas mais enigmáticos, simplesmente devido ao fato de que um certo número de coisas pode causar isso. No entanto, é um sintoma comumente citado de pessoas que sofrem de intolerância ao glúten e / ou a doença celíaca.
Em um artigo intitulado Sensibilidade Ao Glúten Como Uma Doença Neurológica, publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, os pesquisadores descobriram uma reatividade anormal ao glúten em uma classe de anticorpos conhecidos como imunoglobulina (IgG). Acredita-se que esta reação contribui para o desempenho cognitivo diminuído.
2- Ganho de peso inesperado
O súbito, inexplicável aumento de quilos é desconcertante para muitas pessoas intolerantes ao glúten. Em geral, o ganho de peso da intolerância ao glúten resulta de duas coisas: (1) má absorção e permeabilidade intestinal - dois efeitos colaterais da intolerância ao glúten, e (2) inflamação sistêmica, que é desencadeada pelo glúten. Indivíduos intolerantes ao glúten que eliminam o glúten de sua dieta são capazes de voltar a um nível de peso saudável.
3- Função imunológica anormal
Os anticorpos IgA, quando são sensíveis ou intolerantes ao glúten, têm um efeito contrário sobre o sistema imunológico. Encontrados principalmente no trato gastrointestinal e a saliva, os anticorpos IgA são defesa primária do corpo contra constipações, gripes e outras doenças. Obviamente, quando estes mesmos anticorpos neutralizam nosso sistema imunológico, estamos muito mais propensos a contrair tais doenças.
4- Problemas dentais
Em um estudo publicado na BMS Gastroenterology, uma ligação foi descoberta entre a sensibilidade ao glúten e "estomatite aftosa" - uma condição frequentemente associada com úlceras na boca recorrentes e aftas. Além disso, devido à má absorção, os indivíduos sensíveis ao glúten freqüentemente têm níveis muito baixos de cálcio - uma substância muito importante para os dentes saudáveis.
5- Cefaleias e enxaquecas
Enxaquecas são dores de cabeça muitas vezes terrivelmente dolorosas que podem até mesmo ser debilitantes. Estranhamente, enxaquecas são muito mais comuns em pessoas intolerantes ao glúten que a população em geral. Em um estudo de um grupo sensível ao glúten: 56 por cento tinham dores de cabeça crônicas ou enxaquecas. Em comparação, apenas 14 por cento do grupo controle relataram dores de cabeça crônicas ou enxaquecas.
6- Problemas de pele
As propriedades de má absorção da intolerância ao glúten afeta um número de diferentes áreas do corpo, incluindo o nosso maior órgão. O glúten tem sido associado à acne, psoríase, eczema e dermatite herpetiforme (DH). Sintomas de pele decorrentes da intolerância ao glúten, muitas vezes incluem ardor, vermelhidão, erupções cutâneas, coceira e até mesmo bolhas. DH é uma condição particularmente prejudicial, definida pelo Gluten Intolerance Group (Grupo de Intolerância ao Glúten) como: "uma doença crônica da pele marcada por grupos de bolhas lacrimejantes, coceira que podem se assemelhar a espinhas ou bolhas."
7- Dores nas articulações e músculos
Os efeitos inflamatórios estimulados pela intolerância ao glúten são a razão subjacente para a dor nas articulações e músculos. De acordo com a WebMD: "Dor nas articulações e inflamação são sintomas comuns de sensibilidade ao glúten. E pesquisas mostram ligações entre as duas doenças. A Arthritis Foundation também publicou resultados que apontam artrite e dor nas articulações como sensibilidade ao glúten.
8- Exaustão e fadiga
Este sinal é semelhante à confusão mental, em que os mecanismos exatos são um mistério. Pouca investigação científica tem sido realizada em examinar a correlação suposta entre a fadiga / cansaço e intolerância ao glúten. No entanto, os profissionais médicos acreditam que a intolerância ao glúten é paralela à fadiga através de inflamação e da de-alocação das reservas de energia do corpo. fonte
Beijos  Simone Santiago Marques

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Ex-paciente com síndrome de Down vira funcionário de hospital nos EUA


Estou amando!', disse Nathan Simons sobre o novo emprego.
O Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, ganhou um novo funcionário. Nos 50 anos em que o hospital existe, é a primeira vez que contrata um funcionário com síndrome de Down em tempo integral.
Nathan Simons tem 28 anos e era paciente do hospital, e, há alguns meses, foi contratado para um cargo de meio período. De acordo com a NBC, rapidamente, seus superiores notaram como ele era bom em cumprir as atividades que lhe eram delegadas e como aprendia rápido. A decisão foi fácil: ele merecia um trabalho em tempo integral.
A novidade foi contada primeiro aos pais de Simons. "É incrível. Meus pais ficaram tipo 'eba, Nathan, você finalmente tem um trabalho em tempo integral. Graças a Deus!'", relembrou o funcionário à CBS.
Simons relatou estar muito feliz com o novo emprego. "Eu estou amando! Eu adoro as pessoas que vêm aqui e dão boas avaliações", disse ele. "Eu ajudo com a papelada e sou o trabalhador mais esforçado daqui", completou Simons.
Agora, o próximo passo, segundo ele, é casar com sua namorada, Logan. "Eu não estou com pressa, mas os pais dela ficam falando 'onde está o anel? Quando será o casamento?'", brinca Simons.  Fonte
Muito legal !!  Beijos  Simone Santiago Marques

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Educador físico Fabio Bertapelli pesquisa a relação entre obesidade e a Síndrome de Down


Por Helaine Gonçalves do Instituto Alana
Fala mansa, sotaque carregado e uma grande paixão. Foi necessário pouco tempo ao lado do educador físico Fabio Bertapelli para entendermos o motivo que o fez largar suas raízes paranaenses rumo à Campinas. “Estudar a obesidade na síndrome de Down tem sido uma descoberta. Meu lazer é estudar, estudar e estudar. Quem sofre é minha esposa, que entrou nessa comigo", diz.
Nessa caminhada, além de diversos artigos publicados internacionalmente, bolsas de incentivo e um mestrado, agora Fabio conclui as últimas etapas de seu doutorado em Saúde da Criança e Adolescente na Faculdade de Ciências Médicas pela Unicamp. Ou seja, nestes 32 anos de vida, dez foram dedicados a promover qualidade de vida para as pessoas com síndrome de Down.
Dias antes de embarcar para uma temporada de mais estudos, agora em terras norte-americanas, conseguimos bater um papo com este pesquisador. Uma ótima oportunidade para esclarecer um tema pouco explorado - o que lhe custou um pouquinho menos de tempo com a esposa.
Para começar: por que ter a síndrome de Down como objeto de estudo?
Comecei meus estudos em 2005 por meio de um projeto da universidade específico para pessoas com deficiência intelectual, incluindo a síndrome de Down. Fui acompanhando as características específicas como altura, crescimento e observando o quanto a gordura corporal merecia mais atenção de todos, precisava ser olhada com carinho. Fora que trabalhar com as pessoas com a síndrome é muito gostoso. É apaixonante.
Seu primeiro contato com a síndrome de Down foi exclusivamente acadêmico?
Na minha infância, tinha uma criança com síndrome de Down no meu bairro em Toledo, no Paraná. Lembro de ficar encantado com ele. A gente conversava, brincava pela rua. Mas, na época, eu não sabia o que era a síndrome de Down. E só fui saber mesmo quando entrei nesse projeto na faculdade de Educação Física.
Desde cedo, a criança com síndrome de Down é estimulada com muitas terapias com fonoaudiólogos, fisioterapeutas, etc. Por que incluir a Educação Física nesse sistema?
A Educação Física trabalha diversos aspectos da mente e do corpo. E a saúde, qualidade de vida, é importante para toda a população. Não podemos ignorar o auxílio da prática da atividade física e do esporte como forma de auxiliar a prevalência da obesidade na síndrome de Down. A gordura corporal elevada é um fator real, não pode ficar em segundo plano.
O sobrepeso e a obesidade é considerada por muitos uma epidemia mundial. Por que essa realidade acaba sendo mais preocupante nas pessoas com SD?
Muitos pesquisadores estão vendo a gordura corporal como uma pandemia. E o avanço da obesidade infantil é assustador de 1950 pra cá. Já os primeiros estudos sobre este fator na síndrome de Down datam de 1980. E, nessa época, a porcentagem também já era crescente e mais elevada que a da população em geral. Alguns falam em 2 a 3 vezes maior, só que estes índices dependem muito da região estudada, da cultura, da comunidade inserida. Mas o fator comum é que, a nível global, é evidente a prevalência da obesidade na população. Seja em homens, mulheres, meninos e meninas. Independente da idade, sexo e inclusive da questão socioeconômica.
Qual é a relação direta entre o maior acúmulo de gordura e as pessoas com síndrome de Down?
São vários fatores que ainda estamos mapeando corretamente. Nós temos um problema muito grande hoje que é a falta de dados e estudos. Só reunindo bibliografia publicada sobre obesidade temos 4144 estudos. Pesquisas relacionando a síndrome de Down com o peso corporal, crescimento, sobrepeso, enfim. Mas, aplicando um critério de qualidade - validando estudos sérios, de universidades ou revistas de renome - caímos para apenas 42 pesquisas. Agora tu me perguntas: alguma é do Brasil? Não. Uma coisa é a gente falar em obesidade nos Estados Unidos, Holanda, China ou outros países com muita pesquisa. Outra coisa é falar do nosso país, cheio de diversidade e com uma questão cultural muito diferente. A carência que temos de dados aqui é preocupante. Temos dados epidemiológicos dizendo que 1 a cada 700 nascidos vivos tem síndrome de Down no Brasil. Nem esse dado é nosso, mas imaginando isso, temos uma população enorme com síndrome de Down no país. Por que não ter estudos? Tudo o que sabemos sobre os multifatores são de fora. E a gente agora está engatinhando, pegando crianças e adolescentes, acompanhando o crescimento, verificando tudo de fato. Quantos estão obesos? Quantos não? Só a partir daí a gente começa a traçar corretamente os passos para melhorar essa questão.
E quais são suas primeiras observações baseadas nestes multifatores?
Alguns estudos atentam para a leptina, um hormônio produzido pelas células adiposas pra controlar a saciedade. Vamos dizer que é o hormônio que controla a fome. Em algumas crianças vemos esta dose alterada. Logo, essas crianças passam a comer mais e, consequentemente, a gordura corporal aumenta. Outra questão é a taxa metabólica basal, que alguns chamam de gasto energético em repouso. Você dormindo gasta caloria. Esse índice fica em média entre 1300 e 1500 quilocalorias. Na síndrome de Down, o gasto calórico em repouso gira em torno de 900 a 1200 quilocalorias. Três estudos já apontam pra isso. Então, se você analisar ao longo do tempo, vamos imaginar que a pessoa com síndrome de Down coma da mesma forma que a população geral: a mesma quantidade de alimento, mesma qualidade de calorias... As consequências para ela são outras. E se pensarmos que essa taxa basal diminui com o tempo, em função da idade, é automático o aumento da gordura corporal. Ou seja, em repouso, sem atividade alguma, eles gastam menos. Pra prevenir, eles precisariam gastar essas calorias praticando mais exercícios que a população sem a síndrome. Só que as pessoas com síndrome de Down tem uma diminuição da massa muscular, hipotonia, atraso motor, etc. E comprovadamente sabemos que elas não são estimuladas a praticar atividades físicas. Até as comorbidades como o hipotireoidismo e as cardiopatias não justificam a falta de movimento. Daí caímos para a questão ambiental, para a atuação da família superprotegendo a pessoa com SD. Não são só as questões orgânicas que influem no sobrepeso, temos também a falta de uma dieta equilibrada. Viu como é complexo? É um emaranhado de fatores e informações que demanda ainda muito mais estudo e discussão.
Como a família pode auxiliar nesse controle alimentar?
Entendo que os pais acabam sobrecarregados com o filho. Tem que levar no cardiologista, endocrinologista, no terapeuta, psicólogo... E chega a adolescência tem que levar em uma academia? Ir a um nutricionista? Mas o papel da família é diferente. Antes a hipótese era que a família tendo mais controle sobre a alimentação do filho  - cuidando da dieta e pressionando as quantidades - geraria resultados satisfatórios. E, na verdade, os efeitos são contrários, havendo o aumento no índice de massa corporal do adolescente. Quanto maior controle e pressão dos pais, mais adolescentes obesos. Isso é interessante porque partíamos do pressuposto errado. O papel da família é o de auxiliar na busca pelos profissionais habilitados para obter uma dieta equilibrada e definir a prática de exercícios adequados. Ajudar na busca por informação. A informação e a autonomia são os grandes segredos.
A amamentação pode auxiliar no combate à obesidade infantil?
O que sabemos é que muitas crianças com síndrome de Down nascem com baixo peso, o que acarreta em carência de nutrientes. É como se fossem programados biologicamente, desde o útero, a ter baixo peso. De certa forma, a amamentação ou alimentação será mesmo difícil no início. Só que depois vemos uma compensação de alimentos. É alarmante! Chega ao ponto de crianças com 16% de gordura aos 3 anos passarem a ter 45% aos 5 anos. É um ganho de peso muito rápido. Se você tem um aumento de gordura na infância, a chance da obesidade aumentar na adolescência e na fase adulta é muito grande. Se chegar na adolescência com sobrepeso ainda é mais difícil e raro conseguir voltar ao peso ideal pelos métodos convencionais. Me preocupa a necessidade de intervenção e a falta dela gerando consequências. Por isso é muito importante essa análise precoce, para fazermos um tratamento efetivo ao longo dos anos. Esse tema precisa ser discutido porque estamos a ponto de começar a perder crianças e adolescentes. Estou falando de óbito mesmo. Perder alguém quando poderíamos controlar o peso corporal com a nutrição adequada e a prática de atividade física correta é negligência.
Ser mais propenso ao sobrepeso significa ter mais dificuldade para emagrecer?
A métrica é igual: perder o que acumulou ou o excesso. O sucesso na intervenção depende muito da idade. Se a criança começou a acumular gordura aos 4 anos, a intervenção precoce terá mais chances de ser bem sucedida. Diferente na adolescência ou na fase adulta. Mas se as atuais recomendações da necessidade de praticar atividades físicas e de ter uma dieta balanceada não estão gerando resultados positivos na população em geral, é ainda mais difícil direcionar essa necessidade para as pessoas com síndrome. A intervenção correta depende da existência de políticas públicas, redes de suporte multidisciplinar com programas de perda de peso. Uma equipe que envolva profissionais de educação física, nutricionistas, médicos e psicólogos acompanhando por um período – 6 meses ou mais - não só a pessoa com síndrome de Down, mas toda a sua família, escola e comunidade. O erro está em pensar que a solução está só na mão do profissional de educação física. Os estudos em geral mostram que a atividade física isolada não traz resultados, existe uma questão comportamental e orgânica também.
Podemos concluir que as consequências da obesidade seriam as mesmas em pessoas com e sem síndrome de Down?
As consequências físicas e mentais envolvem: níveis de inflamação muito altas, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, piora na qualidade de vida, baixa autoestima e outras questões psicológicas. Isso já é observado na criança com obesidade. Ela não precisa crescer para vermos as consequências. Agora imagine uma criança com síndrome de Down com uma cardiopatia congênita: os riscos são aumentados. Outra questão é a apneia do sono, que muitos dizem ser um distúrbio da síndrome. É a síndrome que leva à apneia do sono ou é a obesidade? O colesterol elevado também gera dúvida dos pesquisadores: ele se deve à obesidade ou à síndrome? É difícil a gente falar de consequências da obesidade na minha opinião. Sem sombra de dúvidas, existem consequências, mas a intensidade, nível e o tipo ainda não conseguimos medir. Não que seja impossível, com estudos científicos controlados chegaríamos à resultados interessantíssimos. Sabemos somente que as consequências surgem por questões orgânicas, comportamentais e ambientais. E por isso vemos crianças com síndrome de Down com obesidade mórbida.
Como podemos contribuir para disseminar informação e alertar mais a população sobre a urgência deste tema?
Um ponto é o fomento de pesquisas e projetos. Nem sempre boa vontade pode contribuir decisivamente na pesquisa, é necessário investimento financeiro. Dizer que faltam pesquisas não significa dizer que falta interesse no tema. Existem pesquisas com parcerias dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas estão emperrados financeiramente. Outro estudo está focado em tratar as desordens associadas à síndrome de Down desde o útero, em olhar pra gestante. Existem outros projetos de mapeamento da síndrome a nível populacional, com probabilidade de ir para o Brasil inteiro. Aqui no laboratório reunimos 15 mil informações sobre peso, altura, variáveis antropométricas capazes de dar uma estimativa real da condição da obesidade na síndrome de Down no Brasil. Um banco de dados a ser lançado no máximo em dois anos, pra repercutir junto à comunidade científica e, principalmente, em toda sociedade. E a ideia é expandir, tornar essa uma produção global, com mais de 20 países, reunindo todos os pesquisadores e profissionais da síndrome. Só com pesquisas vamos reverter muitos achismos e informações defasadas. Para você ter uma ideia, usamos uma curva de crescimento, peso, estatura para a criança com síndrome de Down de 1988. É até divulgada pelo Ministério da Saúde. Uma curva que não tem mais funcionalidade e utilidade, mas continua sendo utilizada nos laboratórios, ambulatórios e clínicas pediátricas. Outro ponto é que essas informações científicas precisam ser trabalhadas, precisam ser acessíveis para quem está em casa. A síndrome de Down precisa ganhar a mídia. Que todos cansem de ouvir e falar, para verem que não é um bicho-de-sete-cabeças.  Fonte
Excelente pesquisa !! Beijos  Simone Santiago Marques